!!”Os Vingadores” por Rod Castro!!

02/05/2012


Tinha tudo para dar certo, afinal, todos estavam apresentados. Mas há um certo momento do novo filme da Marvel que passou do limite. Explico: o fala-fala que antecede a primeira transformação do Hulk é chato, monótono e senão fosse pelo próprio Hulk em ação, este trecho inteiro do filme seria ruim.

Dito isto, afirmo: o filme é bom, mas é só isso, bom. Excelente, insuperável, magnífico? Não. Bom? Sim, muito. Mas não é uma obra-prima e nem se aproxima do que a Fox conseguiu com os filhos do átomo em “X-Men: Primeira Classe”.

Juntar os principais heróis da Marvel foi algo pensado por dois monstros sagrados da empresa: Stan Lee e Jack Kirby, o sempre esquecido Kirby. E em sua primeira aventura, os heróis tinham que combater as artimanhas de Loki, o meio-irmão maligno de Thor.

No filme não é diferente. Loki vem a Terra para arquitetar uma dominação, que será realizada por uma raça alienígena – a qual o invejoso deve ter conhecido durante seu “exílio”, fato ocorrido no filme “Thor” – o que fazer em uma hora dessas? Fácil: Nick Fury e seus agentes da Shield saem pelo mundo reunindo os principais heróis daquele universo, gente como Viúva Negra, Homem de Ferro, Hulk, Capitão América, Thor e Gavião-Arqueiro.

Falar mais que isso, sobre a trama em si, seria estragar o momento em que você se dispõe a enfrentar as imensas filas, que bom, para assistir a aventura pipoca, que tem seus bons momentos e alguns maus, como veremos abaixo.

Avante Vingadores! – a parte boa:

Joss Whedon: o diretor e roteirista do filme, arrebenta em muitos aspectos. Principalmente nos diálogos feitos para Tony Stark, assim como os de Bruce Banner, e as boas cenas de ação.

Tony Stark/Homem de Ferro: a Marvel deve repensar muito ao produzir o próximo filme da franquia do cabeça de lata. Não incluir o diretor Joss Whedon seria um erro capital. E mais uma vez Robert Downey Jr. Dá um show a parte em sua interpretação, transformando, por muitas vezes, Tony no principal personagem do filme;

Hulk: nada de conflitos mentais, como no filme de Ang Lee, muito menos papo cabeça para reforçar a pessoa de Banner,  como Edward Norton tanto desejou fazer em sua versão do Golias Verde para os cinemas. O Hulk deste filme é um gorila, que bate, esmaga, dificilmente fala e é uma artilharia inteira, como Stark fala a Loki;

Viúva Negra: se alguém tinha dúvidas de que Scarlett Johanson era a mulher certa para o papel, tal nuvem se dissipa em menos de 20 minutos de filme. É praticamente impossível que a Marvel não faça um filme solo com a personagem;

Loki: ele foi o melhor momento do filme do Thor e mais uma vez se faz presente. Além da boa trama que o cerca, é impossível não notar a boa interpretação do inglês Tom Hidleston, deve ser presença obrigatória no próximo filme dos Asgardianos.

Momento Thanos – a pior parte:

O blá, blá, blá infinito na Shield: sério, em certos momentos eu pensei que tinha saído da sala de cinema e estivesse em casa, pronto para ver uma daquelas discussões em família que sempre permeia uma “boa” novela que passa lá na “Plin-plin”. Momento desnecessário, longo, e que se retirado do filme faria o público se interessar mais na trama, além de economizar tempo;

Thor: por Odin, cada filme do Universo Marvel que estreia e que tem a presença do Deus do Trovão comprova o óbvio: a empatia e até mesmo talento de Chris Hemsworth são inexistentes. Pena que o ator selecionado para ser o mesmo personagem (Alexander Skarsgard) se contundiu;

Os alienígenas: este é o principal erro do filme. Como a Marvel inclui os Skrulls – a mais conhecida raça de alienígenas do seu universo - no contrato com a Fox, ao vender os direitos de Quarteto Fantástico? Resultado: uma mistura de Skrulls com os alienígenas de “Distrito 9” tomam conta da tela e não rendem metade do que deveriam;

Pronto, pondo os pingos nos is, sigamos a conclusão deste artigo: “Vingadores” é bom, bem melhor que os filmes de “Thor” e do “Capitão América”, mas poderia ter sido melhor.

As cenas de ação são sensacionais, incluindo aí aquela sem cortes em um incrível plano sequência feito em tela verde. Prepare a pipoca, mas aguarde por “Batman” para assistir ao melhor filme de Heróis do ano. Confie!

Nota 8,0.

!!Se o mundo acabar em 2012? 20 anos de Titanomaquia!!

30/03/2012

Aqui começa a sessão “Se o mundo acabar em 2012”. O objetivo disso, você se pergunta: simplesmente pense: todos afirmam que o planeta acaba neste final de 2012 e como ficam as boas obras cinematográficas, literárias e sonoras que me dispus a apreciar e completam aniversário de décadas em 2013?

Ora bolas, estão nesta sessão. E nada melhor que começar esta apreciação do passado recente com o disco, que considero ser, o melhor do rock nacional em todo os anos 90 - o de metal é “Roots” do Sepultura - o sempre esquecido Titanomaquia, dos Titãs.

Titanomaquia, Titãs, Julho de 1993

Em meio ao furacão grunge que tomava conta de todas as paradas musicais mundo afora, acabei por colecionar CDs e mais CDs de bandas que, ou eram de Seattle, ou soavam como se fossem de lá.

Então, entre Alice In Chains, Pearl Jam, Nirvana, Soundgarden, L7 e mais outros, um CD, nacional, fazia-me cantar em português. Somente um: Titanomaquia, dos paulistas Titãs.

Fazer este disco foi praticamente um exorcismo para a banda. Explico: mal os Titãs se reuniram para compor seu novo disco, receberam uma bomba em seus colos, o “poeta” da banda, Arnaldo Antunes, coincidentemente o integrante que menos gostava, pediu para sair da banda.

Daí você pensa: pelo amor de Deus, até parece que isso vai fazer diferença, são para mais de 05 caras na banda, mais um ou menos um, deve lá fazer alguma diferença? Fez, e muita, se bobear, pra melhor.

Não sei se houve um momento de fúria, nunca revelado em entrevistas pelos membros, mas os Titãs resolveram pisar no pedal do peso e recrutaram o produtor Seattico Jack Endino, para esta nova empreitada.

Nascia assim o Titanomaquia. CD com 13 músicas, todas pesadas, tanto em seu som, quanto em suas temáticas e letras. O petardo foi lançado em Julho de 1993, mas só recebi  o meu, dentro de um saco plástico preto - que simulava o mesmo usado para depósito de lixo – em outubro, em pleno o dia das crianças.

“Qual é o seu problema? Seu...”

Uma batida solta de bateria, compassada, pesada, e a entrada de uma parede de guitarras. Este era o início da primeira faixa. Eram exatos 34 segundos de som, sem uma palavra sequer. E tudo aquilo, até ali, era tudo, menos os Titãs que conhecíamos.

Esta sensação era reconfortante. Pois muita gente queria que o peso chegasse as nossas bandas de rock. Eu, até aquele CD, nunca tinha tido um LP, Fita Cassete ou demais tipo de formato sonoro em que a banda tivesse registrado algo. E olha que sabia de cor letras e mais letras deles.

Encaixar três pancadas seguidas, como “Será Que É Isso Que Eu Necessito”, “Nem Sempre Se Pode Ser Deus” e “Disneylândia”, era um recado claro ao ouvinte: isso é rock, pesado e faça o favor de aumentar o volume das suas caixas.

As duas primeiras baseavam suas letras em questionamentos – “Não é que eu passei do limite, isso pra mim é normal. Não é que eu me sinto bem, eu posso fazer igual. Não é que eu vou fazer igual, eu vou fazer pior.”; enquanto que a terceira previa a globalização – a letra de “Disneylândia” é transloucada, difícil, mas extremamente decorável.

O Titã mais pesado, e meu favorito, Nando Reis, atropelava com um rock (“Hereditário”) chupado de alguma batida perdida do final dos anos 70. O objetivo da letra: mostrar que a vida passa rápido em.

Aqui um registro mental: Titanomaquia é um disco que se registra facilmente no inconsciente de seu ouvinte. Pois ao terminar “Hereditário” é impossível não lembrar dos acordes em guitarra da pesadíssima “Estados Alterados da Mente”, praticamente um pesadelo gritado e comentado por Branco Mello – esta canção tem um dos solos mais lembrados de guitarra do senhor Tony Bellotto. 

E se as guitarras de Bellotto e Marcelo Fromer se destacavam, as baquetas de Charles Gavin estraçalhavam as peles em todas as músicas, como em “Agonizando”, uma sequência de batidas ininterruptas, que davam ritmo aos versos proferidos por Sérgio. Aliás, esta aceleração rítmica, com um vocalista (Paulo Miklos e Sérgio Britto) ensandecido era a marca das pauladas seguintes: “De Olhos Fechados” e “Fazer O Quê?”.

Aqui outra anotação mental: este é o disco que os vocalistas botam pra quebrar. Sérgio canta como um metaleiro e um rapper (“Tempo Pra Gastar”), Branco Mello fica entre o cantar e o comentar (“Felizes São Os Peixes” e “Dissertação do Papa Sobre O Crime Seguido de Orgia”), e Paulo Miklos torna-se um transloucado que berra (“Taxidermia”), muda de tom e ao mesmo tempo faz outros sons, como em “A Verdadeira Mary Poppins”, em que entoa um “jin, jinguin lin, jin, jin, jinguin limmm”, os acordes das guitarras.

Enfim, “Titanomaquia” é um disco que merece ser relançado, se você ainda não ouviu, procure, se você ouviu, escute novamente.

Pelo menos este ano, vai que o mundo acaba? 

!! Drive: do caricatural para o violento em 100 minutos!!

01/03/2012


Não assista “Drive” antes de conferir o trabalho anterior do diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn, o transgressor “Bronson”. Se você se acostumar com o que ocorre em todo o primeiro filme, o que surgirá na tela, no filme seguinte, soara “natural”.

Nada de grande espanto. Nada de traumático, como em “Irreversível”. Não é sobre isso que estou falando leitor. Mas “Drive” segue uma linha perigosa, que pode sim fazer o espectador se questionar o quanto um herói, bonito, charmoso e acima de tudo, misterioso, pode se tornar todo o reverso que você não imagina ou quer.

Mas vamos por parte. A história: um dublê de filmes de ação, que também é mecânico e dirige “carros de escapadas” para assaltantes após cometerem seus crimes, acaba se envolvendo – nada de beijos ou sexo – com a sua vizinha – uma garçonete, mãe solteira e que tem o marido na cadeia.

É isso. Revelar mais faria você me chamar de estraga prazeres.

O que vale muito destacar: Ryan Gosling pode parecer um canastrão, mas talvez seja esta a intenção; os demais atores são apenas dispositivos para que o personagem principal se torne o que realmente é, prepare-se; a direção de fotografia é soberba e tem assinatura do veterano Newton Thomas Sigel (o mesmo de “Os Irmãos Grimm”, “X-Men 2” e “Os Suspeitos”); e o trabalho de Refn é digno de prêmio, como Cannes constatou, e merece ser descoberto.

Pena que “Drive” ainda não tenha sido exibido nos cinemas de Manaus, mas vale a descida via Internet. Nota 9,0.